Com tantos lançamento ocorrendo todos os meses é fácil se perder na quantidade de jogos para experimentar (e não vou comentar a sensação de FOMO, Fear Of Missing Out, que você pode acabar adquirindo). Além disso, muitos game são naturalmente ofuscados pelos grandes lançamentos Triple A e acabam passando "fora do radar" de muitos jogadores. Elaborei essa seleção com alguns dos melhores jogos indies que tive a oportunidade de jogar em 2026, e que acredito que você também deveria dar uma chance.
ATENÇÃO: Essa lista não está em ordem de qualidade ou de preferência do autor, i.e., os jogos aparecem listados em uma ordem completamente aleatória.
Denshattack
Eu fico imaginando como deve ter sido a reunião de criação entre os desenvolvedores de Denshattack quando surgiu uma ideia completamente absurda: e se, em vez de um skate, você utilizasse um trem para realizar manobras radicais? Ambientado em um Japão futurista devastado por desastres ambientais e dominado por grandes corporações, o jogo coloca o jogador no controle de uma locomotiva que desafia todas as leis da física enquanto atravessa cidades, montanhas e trilhos abandonados. O objetivo é enfrentar gangues rivais e conquistar reconhecimento em um mundo onde os trens se transformaram em verdadeiras máquinas de esportes radicais.
A jogabilidade mistura elementos de Tony Hawk’s Pro Skater, Jet Set Radio e jogos de corrida arcade, permitindo executar flips, grinds, saltos e combos que seriam impossíveis até mesmo para os trens mais modernos. Tudo isso acompanhado por uma estética inspirada em animes, cenários extremamente coloridos e uma trilha sonora eletrizante. Desenvolvido pela Undercoders, Denshattack parece seguir uma filosofia bastante simples: quanto mais exagerado e impossível, melhor. Afinal, quem nunca quis dar um kickflip com um trem em alta velocidade?
Mina the Hollower
Você já jogou Shovel Knight? Se não, nem imagina o que perdeu! Mas felizmente ele agora não é mais o único game da Yacht Club Games, que retorna com uma aventura inspirada nos clássicos da era 8-bit em Mina the Hollower. Desta vez, a protagonista é Mina, uma ratinha inventora que precisa investigar uma misteriosa maldição que ameaça uma ilha. Para isso, ela utiliza um chicote, diferentes armas e uma habilidade bastante peculiar: a capacidade de se enterrar no chão para atravessar obstáculos, escapar de ataques e surpreender inimigos.
A estrutura combina exploração, combates desafiadores, equipamentos e um mundo interconectado repleto de segredos. Visualmente, o jogo abraça a estética do Game Boy Color, especialmente dos antigos títulos de The Legend of Zelda, mas adiciona animações mais elaboradas e uma atmosfera inspirada no terror gótico vitoriano. A trilha sonora de Jake Kaufman completa essa viagem nostálgica, que promete agradar tanto quem cresceu com aventuras portáteis quanto quem procura um jogo de ação com bastante personalidade.
Reanimal
Você já jogou ou gosta da série Little Nightmares? Então Reanimal, novo jogo de terror da Tarsier Studios é a escolha certa para você que é fã de visuais pertubadores. Desta vez, a história acompanha dois irmãos que precisam atravessar uma ilha tomada por criaturas grotescas para resgatar seus amigos desaparecidos e escapar de um lugar que, em algum momento, já foi seu lar.
A aventura mistura exploração, quebra-cabeças e momentos de perseguição, podendo ser jogada sozinho ou em modo cooperativo, tanto local quanto online. Um dos diferenciais está na câmera compartilhada, que mantém os personagens dentro de um mesmo enquadramento e reforça a sensação de claustrofobia. Os cenários distorcidos, os monstros gigantescos e a narrativa construída por pequenos detalhes ambientais fazem de Reanimal uma experiência que parece transformar medos infantis em algo muito mais concreto. E, considerando o histórico do estúdio, provavelmente também bastante traumático.
Mixtape
Mixtape é uma aventura narrativa sobre amizade, adolescência e aquela sensação agridoce de perceber que uma fase da vida está chegando ao fim. A história acompanha três amigos durante sua última noite juntos antes de seguirem caminhos diferentes depois do ensino médio. Enquanto se dirigem para uma festa de despedida, uma seleção de músicas faz com que revisitem momentos importantes de suas vidas, desde os primeiros romances até pequenas aventuras e situações constrangedoras que marcaram a juventude.
Desenvolvido pela Beethoven & Dinosaur, responsável por The Artful Escape, o jogo utiliza diferentes sequências interativas para representar essas lembranças, incluindo passeios de skate, festas e fugas da polícia. A grande estrela, entretanto, é a trilha sonora, que reúne artistas como The Smashing Pumpkins, Joy Division, Iggy Pop e Siouxsie and the Banshees. Com uma estética inspirada nos filmes adolescentes e uma narrativa sobre crescer e deixar coisas para trás, Mixtape propõe uma experiência imersiva mas com o mínimo de interação por parte do jogador. Talvez todas as notas de nostalgia do jogo não atinjam você por completo, mas certamente algum das músicas da trilha sonora certamente vai ficar ressoando por sua mente por um bom tempo.
Mouse P.I. For Hire
Cuphead é um dos meus jogos preferidos (especialmente por causa de seu estilo visual único). Quando Mouse P.I. For Hire mostrou que seria possível juntar dois elementos tão distintos como desenhos animados dos anos 1930 e um jogo de tiro em primeira pessoa, eu não duvidei por um momento que esse jogo seria incrível! O protagonista é Jack Pepper, um ex-soldado que trabalha como detetive particular na cidade de Mouseburg, investigando crimes e descobrindo uma rede de corrupção enquanto enfrenta criminosos que parecem ter escapado diretamente de um desenho antigo.
O grande destaque é a direção artística em preto e branco, com animações desenhadas à mão no tradicional estilo rubber hose, caracterizado pelos movimentos exagerados e membros flexíveis dos personagens. Por trás dessa aparência inocente, entretanto, existe um FPS bastante movimentado, com armas absurdas, combates frenéticos e uma atmosfera inspirada nos antigos filmes policiais noir. A trilha sonora de jazz e big band complementa a experiência, criando um contraste curioso entre a violência dos confrontos e o charme dos desenhos clássicos. É como se Cuphead tivesse resolvido abandonar os combates em plataforma para se tornar um detetive particular armado até os dentes.
Skate Story
Imagine uma aventura em que ojogador controla um demônio feito de vidro condenado a atravessar as nove camadas do Submundo depois de fazer um acordo com o Diabo: chegar até a Lua e devorá-la. Acho que não preciso explicar mais nada sobre a história, não é mesmo? Skate Story transforma o skate em algo muito mais estranho e contemplativo do que normalmente se encontra em jogos do gênero.
Embora a estrutura seja baseada em skate, com mais de 70 manobras, grinds, flips, desafios e evolução do personagem, a experiência é misturada a exploração, combate e uma narrativa surreal. A trilha psicodélica do Blood Cultures complementa um mundo que parece constantemente oscilar entre sonho, pesadelo e videoclipe.
Duskfade
Duskfade é uma verdadeira carta de amor aos jogos de plataforma 3D que marcaram os anos 2000, especialmente aqueles que misturavam exploração, combates e mundos fantásticos. A história acompanha Zirian, um jovem que precisa resgatar sua irmã depois que uma misteriosa Torre do Relógio mergulha o mundo em uma noite eterna. Para isso, ele conta com a ajuda de Cuckoo, um pequeno companheiro mecânico, enquanto atravessa diferentes regiões em busca de respostas.
Desenvolvido pela Weird Beluga, o jogo aposta em uma movimentação bastante dinâmica, com saltos, corridas pelas paredes, balanços e combates que lembram clássicos como Jak and Daxter e Kingdom Hearts. Os cenários coloridos, as criaturas fantásticas e a temática envolvendo o tempo ajudam a construir uma aventura que parece ter saído diretamente da era de ouro dos jogos de plataforma, mas com uma apresentação muito mais moderna.
MIO: Memories in Orbit
Aqui temos um metroidvania que mistura ficção científica, exploração e uma direção artística que parece ter sido desenhada à mão. O jogador controla MIO, um pequeno robô que desperta dentro de uma gigantesca nave espacial à deriva, conhecida como Vessel. O problema é que a nave está praticamente abandonada, seus sistemas estão entrando em colapso e a vegetação começou a tomar conta de estruturas que um dia representaram uma tecnologia avançada.
A aventura de MIO: Memories in Orbit gira em torno da exploração desse imenso labirinto tecnológico, com novas habilidades que permitem alcançar regiões antes inacessíveis, enfrentar máquinas hostis e descobrir o que aconteceu com a nave e seus antigos habitantes. Desenvolvido pelo estúdio francês Douze Dixièmes, o jogo chama atenção principalmente pela identidade visual, que combina cenários delicados, arquitetura futurista e uma atmosfera melancólica. É aquele tipo de metroidvania em que descobrir o próximo caminho parece tão importante quanto entender o mundo ao seu redor.
OPUS: Prism Peak
OPUS: Prism Peak segue uma proposta bem diferente dos tradicionais jogos de aventura, colocando a fotografia no centro da experiência. A história acompanha um fotógrafo cansado da própria vida que acaba preso em um mundo misterioso conhecido como Dusklands. Nesse lugar, onde espíritos assumem a forma de animais, ele encontra uma garota que perdeu suas memórias e precisa ajudá-la a chegar até uma montanha distante enquanto tenta descobrir como voltar para casa.
Em vez de combates ou desafios de plataforma, a principal ferramenta do jogador é uma câmera fotográfica analógica. É necessário observar os ambientes, ajustar enquadramento, foco e exposição para registrar imagens que ajudam a revelar os segredos desse mundo. Desenvolvido pela SIGONO, o jogo aposta em uma narrativa contemplativa e emocional, utilizando a fotografia como uma maneira de explorar temas como memória, perda e reconciliação com o passado. Tudo isso acompanhado por uma estética que parece saída de uma animação japonesa.
Sovereign Tower
Imagine que você é o governante de uma torre mágica e precisa administrar um grupo de cavaleiros responsáveis por resolver os problemas do reino. O detalhe é que esses heróis estão longe de ser exemplos de competência ou bom comportamento. Cada um possui suas próprias ambições, personalidades e problemas, transformando a administração do reino em uma sucessão de decisões questionáveis e situações completamente absurdas. Essa é a proposta de Sovereign Tower.
Misturando RPG, gerenciamento e narrativa baseada em escolhas, o jogo coloca o jogador no comando de uma Távola Redonda, onde é necessário recrutar cavaleiros, distribuir missões e lidar com as consequências de cada decisão. Se alguma coisa der muito errado, ainda existe a possibilidade de voltar no tempo e tentar um resultado diferente. Desenvolvido pela Wild Wits Games, Sovereign Tower aposta bastante no humor, nas interações entre personagens e na liberdade para construir um reinado que pode ser glorioso ou um completo desastre. Convenhamos que a segunda opção parece bem mais divertida.
E você? Jogou algum título dessa lista ou sentiu falta de algum título que não foi mencionado?
Luís Antônio Costa